terça-feira, 2 de junho de 2015

Eros





EROS


Não sei amar. Quero enxergar em tudo uma lógica mutável que não existe. Amo passageiramente, degustando e vomitando o amor.
A carne é mastigada, saboreada, mas logo parece amargar. Um sabor pútrido de sensações já experimentadas.
Digladiando com minhas próprias palavras inebrio meus pensamentos a ponto de ter visão mesmo lá no calabouço. Convertendo o escuro em resquícios de sanidade para, então, distinguir o que é racional do que é amor. Conto os passos que são dados lá fora até a ponte arterial que me leva ao ser amado. Implanto meu veneno mortal e começo a degustação. Quando finalmente penso que, por fim, aquela é minha morada a boca novamente amarga e descubro que ainda não sei amar. Estou estagnado. Fadado a não viver.

(J. Lima)

domingo, 17 de maio de 2015

SOMBRA



Sombra

Transite entre meu âmago e minha face. Julgue aquilo que estou fazendo e sentencie minha atitude irracional. Aprove meus pedidos, divulgue minha falha, confirme minha razão. Diga-me se estou fazendo da melancolia minha vida e da vida um mal. Com dedo em riste imponha seu ego e aponte o lugar glorioso que nunca chegarei. Juntando as mãos em aplausos sorria e acene enquanto meu pódio não tem público.
Vamos lá, criança, faça sua aposta!
Afirme a instabilidade como ponto de partida dos meus pensamentos. Com grades e cimento prenda meu ser nesse mundo restrito.
E minha vida ainda continua, mas e a sua onde está?


(J. Lima)

SILÊNCIO



Silêncio


Quando calar é necessário, mas palavras loucas saltam a boca e fazem do que seria um pensamento uma simples manifestação de sons... a alma dói, o peito inflama. Pouco a pouco o nada preenche um conteúdo antes cheio de um tudo, mas que agora parece transbordar somente por vaidade.
A sensatez nas palavras proferidas é uma necessidade que, em loucura inata, não se adéqua a seus próprios requisitos. Cada ser com seu mundo, diferenciando suas limitações de um tudo tão igual. Palavras insanas doem ao ouvido de quem vive selecionando sua sensatez, mas tudo é tão simples, tão igual, tão silencioso que calar é a solução. Calar. Não para manter o silêncio, mas para ser lúcido... comigo.

(J. Lima)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

INEBRIADOS





Inebriados



O entardecer dessa transição vital é o ponto de partida para vindouras noites frias. Aquecido somente pelo calor da ignorância e sobrevivendo apenas das migalhas oferecidas que, apesar de minimamente essenciais, são migalhas apenas.
 Presos em pequenas caixas, acoados e amedrontados por uma realidade distante ou artificial, nos fazem fantoches. Entregamos nas suas mãos as cordas dos nossos pulsos então nos controlam. Arrancamos nossos olhos e escupimos outros de madeira, logo serão as pernas, os braços e por fim seremos todo de madeira. Logo se vê que o barro não deu certo, pois de nada serve quando aquecido e quebrado, madeira é melhor de manipular. A esperança tola do plantio, aguardando-se colher novos brotos, também fora frustrada. Quando as cordas se quebram somos, então, queimados como lenha para suprir a necessidade de alguns. Algum dia, supomos, voltaremos das cinzas e novamente o mesmo ciclo se repetirá. Talvez em outras condições, em outros moldes, mas será apenas mais do mesmo.

(J. Lima)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Hey, insanos! Paz e Bem.

Em breve voltarei a atualizar o blog semanalmente. O tempo livre está restrito a poucas horas semanais, por isso não postei nada nas últimas semanas. Mas vamos lá!
Bola pra frente...
Até breve!

(J. Lima)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

QUEM ÉS?




Quem és?


Sou o mesmo. Mas não me reconheço naquele espelho, ele não reflete a mesma imagem de outrora. Talvez tenham-no mudado o vidro e agora reproduza uma imagem côncava. Quem sabe, então, escureceram-no as bordas, por isso vejo alguém tão apagado lá no fundo... O rosto magro, sem vida, quase um morto-vivo. E aquela barba por fazer?! Decerto não sou eu aquele ser repugnante... o espelho está defeituoso, melhor trocá-lo.

(J. Lima)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

GAIOLA SEM GRADES





Gaiola sem grades


Preso nessa angústia sem fim. Minhas asas cansadas, meu corpo exausto suplicando um minuto de descanso. Como uma folha seca ao vento a imaginação vaga.
Mesmo num descuido, permitindo que os pensamentos voem longe, as grades logo acabam com as fantasias. E tudo que era sonho passa a ser uma esperança tola. Uma ilusão inacessível.

(J. Lima)